Licença GPL

Pesquisa feita pelos alunos:
Nilton Vasques
Eduardo Carvalho
Gianinni Suzarte

"Quem produz a informação recebe muito mais informação do que cria." - Autor Desconhecido

HISTÓRIA


300px-Richard_Stallman_at_Marlboro_College.jpg

Richard M. Stallman (esse cara da foto ao lado parecendo um personagem da idade média), viveu uma época na computação que toda informação era compartilhada. Isso mesmo, o mundo da informática era open source (código aberto), todos compartilhavam os softwares utilizados e cada um poderia fazer as modificações que desejasse sem ser chamado de criminoso. Stallman trabalhava no MIT (Massachusetts Institute Technology) como programador e era um comum o compartilhamento de códigos entre profissionais, mas as coisas não iriam continuar assim por muito tempo.

Logo no início da década de 80 a ideia de copyright (software proprietário) começou a surgir, acabando assim com o sonho hippie dos profissionais que defendiam a política de software livre na época. Nosso caro colega hippie não poderia deixar barato essa história, começou então um movimento para que fosse desenvolvido um sistema operacional e programas que abrigasse as liberdades conhecidas pelos programadores antes da chegada do software proprietário. Então, em 1984, Richard Stallman deu início ao Projeto GNU, um sistema operacional livre.

gnulinux.png

O GNU era um sistema operacional quase completo, mas não possuía um kernel (núcleo) estável. Foi nessa época que um jovem finlandês estudante de Ciência da Computação chamado Linux Torvalds disponibilizou na Internet a primeira versão de um kernel para sistemas operacionais semelhante ao Unix, kernel este batizado de Linux. Foi amor à primeira vista entre os dois projetos, um casamento perfeito e a geração do poderoso sistema operacional GNU/Linux. Foi então que, para proteger a liberdade dos usuários do sistema GNU/Linux, Stallman criou a licença GPL.

DEFINIÇÃO


A sigla GPL (General Public License) se refere a licença de software livre criada e idealizada por Richard Matthew Stallman para o projeto GNU, mas também utilizadas por muitos desenvolvedores. A GPL tem como objetivo garantir que todos tenham o direito de usar, copiar, modificar e distribuir o software, ou seja o software (e seu uso) é livre. Richard Stallman garantiu que o software permaneça livre mesmo quando modificado, para isso a GPL determina que softwares derivados de um software livre deve também ser livre, dessa forma se impede que alguém se aproprie de um software e garante que o mesmo pertença a comunidade. Por outro lado, as licenças convencionais para software visam tomar a liberdade que o usuário tem de compartilhar e modificar o software. Softwares em que não são livres são chamados de proprietários, as empresas que os desenvolvem são as únicas que possuem o código fonte e portanto as únicas que podem fazer modificações no software e distribui-lo.

Para garantir a liberdade do software a GPL define quatro liberdades de softwares, são elas:

• Liberdade 0: A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito.
• Liberdade 1: A liberdade de estudar como o programa funciona e adaptá-lo para as suas necessidades.
• Liberdade 2: A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo.
• Liberdade 3: A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie deles.
Obs.: O acesso ao código-fonte é um pré-requisito para as liberdades 1 e 3.

Abaixo, um pequeno vídeo sobre Stallman, GNU e GPL:

SOBRE A FREE SOFTWARE FOUNDATION


logo-fsf.org.png

Todo esse movimento de Richard Stallman resultou na fundação da Free Software Foundation (FSF, Fundação para o Software Livre), uma organização sem fins lucrativos que se dedica à eliminação de restrições sobre a cópia, redistribuição, estudo e modificação de programas de computadores. A FSF faz isso promovendo o desenvolvimento e o uso de software livre em todas as áreas da computação mas, particularmente, ajudando a desenvolver o sistema operacional GNU e suas ferramentas.

Como é dito na própria página do Projeto GNU, o software não pode ser visto como um produto comum: "As pessoas devem ser livres para usar o software de todas as maneiras que sejam socialmente úteis. O Software diverge de objetos materiais, como cadeiras, sanduíches e gasolina, na medida em que pode ser copiado e mudado mais facilmente. Estas possibilidades tornam o software útil como ele é, nós acreditamos que os usuários de software deve ser capaz de fazer uso deles."

DOCUMENTAÇÃO DA LICENÇA GPL


Muitas empresas de softwares proprietários tentaram distorcer o significado do movimento Free Software (Software Livre), alegando que aqueles que defendem as ideias de Richard Stallman querem apenas softwares gratuitos e que isso seria prejudicial à economia. Mas isso não é verdade. É verdade que a palavra "free" também pode ser usada para dizer que algo é gratuito, mas esse não é o caso do Free Software, Softwares livres não precisam ser necessariamente gratuitos. Livre, neste sentido, refere-se a distribuição, não ao custo. Uma empresa pode cobrar por um software livre, mas não pode impedir a sua redistribuição, ou seja, deve assegurar as quatro liberdades citadas anteriormente.

Linus Torvalds, por exemplo, primeiramente disponibilizou o Linux através de uma licença mais restritiva que a GPL, que permitia que o software fosse livremente distribuído e modificado, mas que impedia que qualquer quantia em dinheiro fosse cobrada por sua distribuição e uso. A GPL, por outro lado, permite que pessoas vendam e tenham lucro com software livre, mas não permite que elas restrinjam de qualquer forma o direito de outros de modificar e compartilhar o código fonte como bem entender. Apesar de tudo isso, é muito comum encontrar softwares livres e grátis, geralmente as empresas cobram pelo suporte especializado.

Também não devemos fazer confusão entre o que é software livre protegido pela GPL e software de domínio público, são coisas bem diferentes. Este segundo, por definição, não tem um copyright e pertence ao público. Software protegido pela GPL, por outro lado, é copyright do autor. O software é livre, mas é protegido pelas leis internacionais de copyright, e o autor está legalmente definido. A GPL protege softwares que podem ser livremente distribuídos, mas que não são de domínio público.

Qualquer um pode incluir a licença GPL em um software que desenvolveu. Para isso, é necessário incluir dois elementos em cada arquivo do projeto: um de copyright, e a declaração autorizando a cópia e descrevendo que o mesmo está sobre a Licença Pública Geral GNU. Além disso deve se adicionar ao projeto uma cópia do texto da GPL utilizada em texto ASCII.

VERSÕES


GPL v1

A primeira versão GNU GPL, foi lançada em Fevereiro de 1989.

O primeiro problema ocorrido, foi que os distribuidores poderiam publicar arquivos binários – executáveis, mas não que podiam ser lidos ou modificado por humanos. Para impedir isso, GPLv1 dizia que qualquer vendedor distribuindo binários deveria também tornar o código fonte disponível sob os mesmos termos da licença. (seções 3a e 3b).

O segundo problema era que os distribuidores poderiam incluir restrições adicionais, quer pela inclusão de restrições à licença, ou pela combinação do software com outro software que tinha outras restrições em sua distribuição. Se isso fosse feito, então a união dos dois conjuntos de restrições que se aplicariam ao trabalho conjunto, assim restrições inaceitáveis poderiam ser adicionadas. Para evitar isso, a GPLv1 dizia que versões modificadas, como um todo, deveriam ser distribuídas sob os termos da GPLv1 (seções 2b e 4 da carta). Portanto, o software distribuído sob os termos da GPLv1 poderia ser combinado com outro software sob condições mais permissivas, isso não mudaria os termos em que o todo pode ser distribuído, mas o software distribuído sob GPLv1 não poderia ser combinado com um software distribuído sob uma forma mais restritiva licença, já que isto entra em conflito com a exigência de que o todo seja distribuível sob os termos da GPLv1.

GPL v2

De acordo com Richard Stallman, a principal mudança no GPLv2 foi a cláusula da "Liberdade ou Morte", como ele chama - Seção 7. Esta seção diz que se alguém tem restrições que impedem ele ou ela de distribuir software(s) coberto(s) pela GPL de uma maneira que respeite a liberdade dos outros usuários (por exemplo, se uma decisão judicial afirma que ele ou ela só pode distribuir o software em formato binário), ele ou ela não pode distribuí-lo. A esperança é que isso irá tornar menos tentador para as empresas usar ameaças de patentes para exigir uma taxa dos desenvolvedores de software livre.

Em 1990, tornava-se evidente que uma licença menos restritiva seria estrategicamente útil para a biblioteca C e bibliotecas de software que, essencialmente, faziam o trabalho das proprietárias que existiam, quando a versão 2 da GPL (GPLv2) foi lançada em junho 1991, portanto, uma segunda licença - a Library General Public License - foi introduzida ao mesmo tempo e numeradas com a versão 2 para mostrar que ambos eram complementares. Os números de versão divergiram em 1999, quando a versão 2.1 da licença LGPL foi lançado, que renomeou-a GNU Lesser General Public License (GPL Menor) para refletir o seu lugar na filosofia.

GPL v3

No final de 2005, a Free Software Foundation (FSF) anunciou funcionar na versão 3 da GPL (GPLv3). Em 16 de janeiro de 2006, o "projeto de discussão" o primeiro da GPLv3 foi publicado, e a consulta pública começou. A consulta pública foi originalmente planejada para nove a quinze meses, mas finalmente esticado para 18 meses, com quatro projectos de serem publicados. A GPLv3 oficial foi divulgada pela FSF em 29 de junho de 2007. GPLv3 foi escrito por Richard Stallman, com advogado de Eben Moglen e Software Freedom Law Center.

De acordo com Stallman, as mudanças mais importantes são em relação a patentes de software, compatibilidade de licenças de software livre, a definição de "código fonte", e as restrições de hardware na modificação do software ("tivoização"). Outras alterações dizem respeito à internacionalização, como as violações de licença são tratadas e como permissões adicionais podem ser concedidos pelo detentor dos direitos autorais.

Outras mudanças notáveis ​​incluem a possibilidade de os autores adicionarem determinadas condições ou requisitos para suas contribuições.

IMPORTÂNCIA PARA A COMUNIDADE E A RELAÇÃO COM COMPILADORES


gcc_logo.jpg

A criação da General Public Licence, que hoje em dia é a licença livre mais utilizada no mundo, trouxe benefícios para a sociedade sem limites. Se atualmente não somos escravos da Microsoft ou da Apple (lideres do mercado de softwares corporativo) é graças, principalmente, a General Public Licence e as liberdades que é assegurada pela mesma. O cenário do software hoje em dia seria muito diferente caso Richard Stallman se rendesse ao sistema e resolvesse comercializar software proprietário.

Um dos compiladores mais populares, o GCC (GNU Compiler Collection), foi desenvolvido para ser o compilador do Projeto GNU por Richard Stallman é licenciado sob a GPL. Como a licença assegura as liberdades de modificação e distribuição o GCC saiu das mãos de um desenvolvedor para o mundo o que resultou em um crescimento brutal. Atualmente o GCC foi adaptado a diversos tipos de processadores e Sistemas Operacionais, mais do que qualquer outro compilador.

O Free Pascal também é outro exemplo de compilador livre. Ele roda em diferentes arquiteturas e sistemas operacionais diferentes. Possui uma forma de desenvolvimento aberta, onde qualquer um pode contribuir para o desenvolvimento do software.

UM RESUMO DA HISTÓRIA DA DA LICENÇA GPL EM VÍDEO


“Se você tem uma maçã e eu tenho uma
maçã, e nós trocamos as maçãs, então
você e eu ainda teremos uma maçã. Mas
se você tem uma ideia e eu tenho uma
ideia, e nós trocamos essas ideias, então
cada um de nós terá duas ideias” -
George Bernard Shaw

Referências utilizadas para construção do artigo:
http://en.wikipedia.org/wiki/GNU_General_Public_License
http://pt.wikipedia.org/wiki/Free_Software_Foundation
http://pt.wikipedia.org/wiki/GNU_General_Public_License
http://www.hardware.com.br/noticias/2008-05/483AA96A.html
ftp://ftp.heanet.ie/disk1/www.gnu.org/copyleft/copyleft.pt-br.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Richard_Matthew_Stallman
http://www.joomlaclube.com.br/doc/index.php?title=GNU/GPL
http://dicionario.babylon.com/gpl/
http://www.gnu.org/philosophy/
http://www.cybershark.net/artigos/free_software

Unless otherwise stated, the content of this page is licensed under Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 License